"Toby estava como sempre em sua ronda noturna. A monótona rotina repetia-se a cada noite, protegendo a loja do seu patrão. A cidade de Silver Path, vizinha de Thornbeak, era conhecida pela menor taxa de furtos, motivo pelo qual Toby (que ali morava) havia aceitado o trabalho. O único problema é que não havia absolutamente NADA para se fazer, exceto tragar, a cada ronda, uma carteira de cigarros.
“O meu pulmão já era!” dizia ele a cada vez terminava de fumar uma carteira.
Ficou lembrando da namorada, ali só pensando... Nos presentes, nas noites “calientes” (como ela chamava), nas carícias... A única pena era que ela nunca mais a veria, não que eles não quisessem ou que morassem distante, mas porque a missa de sétimo dia de Toby seria em uma semana...
Ajeitou os cabelos negros, mediu os bíceps musculosos pela milésima vez e bufou de tédio. Um tédio que fez com que ele visse uma mancha nas sombras, uma espécie de mancha escura. Tão estranha que parecia real. Lembrava um corpo se esgueirando por entre a penumbra da noite. O corpo parecia familiar para o jovem vigilante. O rosto de um rapaz vestindo farrapos.
— P-parado! — Toby gritou apontando a pistola de sedativos para o rapaz.
Mas a pessoa continuou a andar, ele olhou rapidamente para o cartaz de procurado:
Locke Del Lucca
Procurado!
Vivo ou Morto!
A foto era idêntica ao do indivíduo.
— Eu disse PARADO! — Ele apertou os dedos.
— Isso mata? — Locke perguntou.
— MATA! — mentiu o segurança.
— Então faça isso! — disse ele — Anda! Não temos muito... Tempo... Rá...pi...do...
Ele parecia pacífico e por um segundo seus olhos brilharam.
— O que está dizendo? — disse Toby, a voz escondia a força que fazia o corpo tremer.

